sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eu


Ps: Reflexões após um ano de sua criação. E então, "Eu" é postado em meio ao tecnicolor atual.

Eu

Desvenda-me
Nos recantos da cidade
Indico um despertar
O sub eu
O quase ser
Inteiro sobre a metade
Exposto sem patamar

Sinta-me
(des) olhar a revelar
No rosto denunciado
O sub eu ator
O quase ser outro
Na teia a entrelaçar
Meus palcos com cuidado

Afasta-me
Por não querer desconcertar
Pela verdade a acrescentar
O sub eu espelho
O quase ser você
Me faz seguir adiante
Mudando
sem adiar.

(José Avelino)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

E por falar em esperança


Tento um tempo
Depois destempero
penso
E desespero

Desacredito no tempero pronto!
E
No ponto
No equilíbrio
entre o real e o conto

Salve o presente
(des)viver (des)crente
Eis a lei
do corpo e mente

Logo logo
Prontamente
Ao ponto
conto um conto
com tempero
estilo caseiro

(José Avelino)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fico com os dois


Café e bola
A praticidade fascina
cria certezas
simplifica ações
destroi medos
extingue culpas
e fim
fim de papo.
Aprender a praticá-la assusta
assusta para quem é prolíxo.
O simples desejo de "complexar"
Somos práticos pelas situações
e prolíxos por natureza
Nada mais prático que a paixão
Nada mais prolíxo que o amor
Um xícara de café é prática
até sentir o cheiro da bebida espalhando-se pela casa
O futebol é prolíxo
até o jogador chutar a bola em direção à rede
O gol é certo
A comemoração é incerta
O café é quente
Há que o goste frio
"Ou isto ou aquilo"
Isto e aquilo
Um pouco de tudo em nada
Nada com um pouco de tudo
A prolixidade também fascina.

José Avelino

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sonhocídio


As horas não passam
E aos poucos, os olhos fixos num ponto
são consumidos por olheiras cada vez maiores.
Viver cansa.
Assim como sorrir exige motivos ínfimos
sonhar necessita apenas de um cochilo
Eis a verdade da insônia;
Dias de tentativas e noites falidas
até perceber o quanto fui cruel
Matei noites!
Dizem que elas são crianças
crianças que dormem, sonham
e acordam dispostas a brincar
sem o peso do dia anterior.
Por isso exijo o sono
Fantasias e criações de uma noite bem vivida
desejos e realizações de um dia bem sonhado
Afinal,
viver só cansa
quando o sonho descansa.

(José Avelino)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Re(des)fazendo


A verdade é que não sei;
E na ausência de respostas,
criar insinua um tipo de viver;
Pessoas, animais e pessoas novamente;
Onde o real é sopa fria na geladeira
esperando ser requentada;
Verdades construídas e destruídas,
assim como o que sou;
Hoje e ontem, tudo e nada;
Caminhos abertos por ações
e sufocados pelo desejo de realizar-se.

O que você quer?

A verdade (reinventada) é que não sei;
Sinto-me melhor assim;
Anestesiado até a sopa esquentar;
É tudo tão irreal...

(José Avelino)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Chicleteiro eu...


Toda noite ao deitar na cama
mastigo o dia relembrando fatos
e nem sempre sinto seu gosto.
Na verdade nunca senti.
Entretanto, saboreio dia-a-dia apenas a possibilidade;
Um chiclete maldito,
sem cor e desgastado
que me distrai em análises...
Cada expressão um sentido;
Cada palavra um sorriso;
Cada sinal um aviso;
Serás doce?
Sejas o que for.
Todo dia acabo mastigando além do que devia.

(José Avelino)

domingo, 21 de novembro de 2010

Feliz cidade


Sol
Cheira-se sol na cidade

O asfalto devora horas entre freios e arrancadas
Vermelho
Verde
Vermelho
Verde
Verde
Verde
Pára!
Quanto tempo a perder
Quanto tempo a correr
Mas o sinal pede amarelo
E na cegueira rotineira
Vê-se verde
E passa.

Sem culpa ou medo
Chegará ao destino:
Despido pelo vermelho calor
E verde pelo tempo conquistado.

(José Avelino)